Doutor é aquele que faz doutorado. Tudo bem, não dá pra dizer que está errado, é isso mesmo! E não é fácil chegar lá...
Mas quando a gente era criança, era do “Doutor” que usava jaleco branco e vinha com um palitão desconfortável olhar a nossa boca quando estávamos doentes que a gente tinha medo. Sem contar aqueles doutores auxiliares, que vinham te segurar pra você “tomar uma injeçãozinha e ficar melhor”. Depois desses traumas, ninguém mais ficava no sereno à noite quando a mamãe pedia pra entrar em casa. Afinal, quem é que queria um encontro com o “Doutor” no dia seguinte?
A mulher então, quando vai ser mamãe, é o “Doutor” que ela procura. Pra ver o tamanho do pezinho, ouvir o coração e pra saber se está tudo bem com o bebê... e também naqueles momentos em que a mamãe, mais do ninguém, sabe que tem algo errado. É no “Doutor” mais ingrato que existe, que fica mexendo e remexendo desconfortavelmente no nosso mais íntimo, que confiamos e esperamos uma boa e não más notícias. Não... não é o “Doutor” que faz o parto, somos apenas espectadores e incentivadores. Mas é o “Doutor” vestido com pijaminha de centro cirúrgico, crocks em posição, que nos aguarda do outro lado, para a vida, e quem tem o privilégio de ser o primeiro a nos ver quando nascemos.
Desde que nascemos, a gente reclama que o SUS não é suficiente, não supre as necessidades. E é assim mesmo. O SUSão está em eterna construção. Mas você não sabe quem faz parte dessa história. Quem levanta todos os dias e veste o chinelão de couro pra trabalhar. Quem bate de porta em porta, oferecendo home care (pelo SUSão galera!). Quem vai pras periferias, pros pronto-socorros das grandes cidades. Quem agüenta as mais diversas lástimas e escuta as mais diversas queixas de uma população que se sente abandonada é o “Doutor”.
É no “Doutor” que temos esperança de cura, quando entramos deitados numa maca pelas portas de um centro cirúrgico. É o “Doutor” com a cara coberta pela máscara, que a gente fica escutando, antes de apagar para uma cirurgia. E é ele que a gente vê de novo, naquele momento estranho quando acordamos, meio zonzos... e ele diz “Tá tudo bem, já acabou”. Eles nem sempre são tão hábeis com a fala como são com as mãos, mas é esse “Doutor” que eu espero, quando bate aquela dor.
“Doutores” de dia e de noite. No verão e no inverno. Nos dias normais e nos feriados. A gente não deixa de trabalhar.
O trabalho enobrece a alma. E cansa o corpo! Cumprimos jornadas de 60, 80, 100 horas por semana. A desvalorização dos profissionais da saúde atingiu os “Doutores” em cheio! Em alguns locais, pagamos sim para trabalhar. Bancar o sonho de ter o próprio consultório não é tarefa fácil, exige muito rebolado e passar aperto. E não se engane cidadão! Ir pra cidade do interior não resolve mais a vida do “Doutor”. Hoje a época ainda é favorável à formação de novos profissionais, mas não podemos mais nos dar ao luxo de escolher a área em que atuaremos. Somos movidos pelas necessidades, afunilados nos concursos de residência (cada vez mais incongruentes, aliás), milimetricamente estudados e selecionados para continuidade – assim como os ratinhos de laboratório que os aprendizes de “Doutores” utilizam pra estudar.
Falar nisso... aprendizagem difícil essa, não? 6 anos de estudos... muitos anos prévios de preparação para o vestibular. Inúmeras aulas teóricas, distúrbios do sono, gastrite, cefaléia, lombalgia, varizes... ai, chama o “Doutor”!
Hoje é dia de São Lucas... o médico das histórias bíblicas. Padroeiro da minha profissão. Acho muito difícil que o Apóstolo Lucas tenha sido “Doutor”, no uso coloquial que fazemos desta palavra hoje. Mas foi médico... e empreendeu sua vida para ajudar outras pessoas.
Não, não somos assistentes sociais. Somos clínicos. Cirurgiões. Patologistas... Somos muitos. Estudamos e atuamos para transformar a saúde do nosso país em algo mais digno. Para que as pessoas que nos procuram... a nós, os “Doutores”... possam confiar a sua saúde e a sua vida nas nossas mãos e em nossas mentes.
18 de outubro é o dia dos Médicos. Parabéns Doutores! Orgulho-me imensamente de ter escolhido essa profissão. E espero sempre, em cada um de nós, o melhor que pudermos ser.
Metade Loucura
Minha metade é loucura... Mas como diria Alice (aquela mesma, do país das maravilhas) "Os loucos são sempre os melhores"
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Sou um grão de areia...
No ritmo das homenagens pra formatura... uma palavra aos meus queridos pais: obrigada.
“Sou uma gota d'água,
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.”
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.”
Trecho de
“Pais e Filhos” – Legião Urbana
domingo, 13 de maio de 2012
Algumas palavras
Em ritmo de finalizações... algumas palavras.
"A vida nem sempre é feita de alegrias
De melodias
De felicidade
A vida é cheia de amarguras, dias difíceis, notas ruins, desilusões
Mas hoje,
A vida é saudade
Das alegrias, da melodia e da felicidade
Que outrora encontrei, que outrora vivi
E que hoje,
Mostram que o sonho não acabou...
Apenas mudou"

Cena de bar
“A moça dos olhos verdes, atrás do balcão, está a me
observar
Ela traz o café, e me fita
Acho que espera que eu peça algo mais
E eu a olho
Olho através de seus olhos verdes como o mar
Eu a fito
E espero... Aguardo
um sorriso, uma demonstração de entendimento, uma palavra de compreensão
E na espera
Ela me deixa,
Sem explicação, sem um riso, sem nem mesmo um olhar
E volta, pra vida de todos os dias, atrás do balcão do bar”

Abraços virtuais, e boa semana!
Assinar:
Postagens (Atom)